Quanto vale você?

Em uma comunidade os 

seres humanos passaram a ser vistos, julgados conforme o 

„valor de cada um‟, naquilo que ficou conhecido como: A 

Lei do Valor. Assim o ser humano não seria mais avaliado 

como um valor em si mesmo.

Um dia o médico Valter e 

seu ajudante o enfermeiro Miguel, após o expediente: como 

Valter havia deixado seu carro na oficina que o avisou que 

atrasaria a entrega do carro naquele dia, ou seja, o carro 

seria entregue somente no dia seguinte. Então Miguel 

oferece uma carona para Valter, que foi prontamente aceita 

por Valter.

No percurso, em um 

cruzamento um carro avança o sinal vermelho, cruza a 

frente do carro de Miguel, que faz uma manobra para se 

desviar daquele encontro fatal, mas perdeu o controle da 

direção, e acabou por capotar na ribanceira da rua. 

Aquilo causou um alvoroço 

nos transeuntes que testemunharam aquele evento, à beira da 

rua rapidamente encheu de gente para vê aquele acidente,

enquanto os dois homens que foram jogados para fora do 

carro estavam aparentemente imóveis lá embaixo da 

ribanceira.

Quando a equipe de 

emergência chegou, correu para atendê-los. A equipe 

percebe que na ambulância há apenas um desfibrilador, pois 

no posto, sem comunicá-los, a outra equipe havia o retirado 

para fazer um exame ali mesmo no posto, nesse interim, a 

equipe entra, e sai apressadamente para atender esta 

ocorrência.

Lá estavam Valter e Miguel 

dispersos no chão, era preciso imediatamente saber qual dos 

dois atender inicialmente. Um enfermeiro da equipe mira o 

Aparelho Validor em Miguel e Valter. Descobrem suas 

funções e valores: a „escolha‟ é feita. Mesmo que no registro 

criminal Valter seja denunciado e culpado em alguns casos

por agressão doméstica, por agressão física:

Quando em um domingo 

tedioso, depois de um turno de serviço tedioso, agrediu seu 

vizinho por está: „ouvindo música alta‟

Dão choques no peito de 

Valter, ele desperta e a equipe corre em socorro de Miguel

para testificar se ainda é possível salvá-lo, mas Miguel não 

responde aos impulsos elétricos, falece.

Valter atordoado ainda pelo

o baque do acidente pede para a equipe médica, por favor,salvar seu irmão. Um enfermeiro se dirige a Valter e pede 

que ele se acalme, pois ainda estava sobre „observação‟.

“Miguel, meu irmão, 

acorda, acorda...”, diz Valter para o seu irmão imóvel ali do 

seu lado, enquanto desmaia pela a força da medicação, mas 

seu irmão Miguel naquele dia soturno não teve o valor que 

deveria para ser salvo.

Nove dias depois após esse 

ocorrido, essa mesma equipe é acionada para atender um 

acidente próximo dali onde havia ocorrido o acidente de 

Valter e Miguel. 

Alguns transeuntes disseram 

que viram um carro perder o controle, saí da rua, cair numa 

pequena ladeira do lado da rua, depois de colidir com na

árvore. Foi o que disseram para os policiais militrons.

Enquanto a equipe médica ia em direção ao caso em 

questão.

O médico vai pela a porta 

do motorista, e o enfermeiro que estava como o aparelho V 

(Validor) vai pela a porta do passageiro. O médico abre a 

porta e encontra uma mulher de uns quarenta e cinco anos 

agonizando com um pequeno e fino ferro atravessado em seu abdômen  do lado esquerdo

 “Tenha calma, vou atendê-la 

imediatamente!”, disse o médico.

Quando o enfermeiro abre a 

porta do passageiro, observa que no sofá de trás do carro, 

tem um garoto de mais ou menos uns 13 anos preso ao cinto 

do passageiro, talvez esteja desmaiado.

A mulher mesmo sentido 

muita dor, sussurra, com grande dificuldade aos ouvidos do 

médico:

“Por favor, Senhor, pelo o 

amor de Maxia: salva meu menino, salva meu menino...!”...

O médico lhe responde:

“Sim, sim, está tudo bem!”. 

E coloca uma máscara de 

oxigênio nela. O enfermeiro já a havia identificado como a 

Juíza Michel Maldonado, mulher de grande prestigio 

naquela sociedade. Fora ela que se tornou famosa por 

condenar a cadeia lideres poderosos da máfia local e de conexões internacionais da cidade de Ste 

Mas, que por outro lado, 

gerou muita polêmica por criar: a „Lei do Valor‟, pela qual 

foi criticada também internacionalmente. Como dizem „O

Mundo às vezes gira, às vezes o Mundo capota‟. E a Lei do 

Valor por ela criada agora a atingiu, igual como já havia 

atingindo a milhares e milhares de pessoas antes dela.

Pela a Lei do Valor a equipe 

médica atendeu imediatamente a Juiza Maldonado. Seu

jovem filho morreu naquela ocasião.

Seis meses depois na Cidade 

de Sete, do acidente envolvendo a Juíza Michell Maldonado, 

aquele mesmo médico e enfermeiro estavam de plantão, em 

um dado momento uma noticia na tela do atendimento do

hospital lhes chamou a atenção. A Juíza Michell Maldonado 

dava uma entrevista para um prestigiado jornal nacional.

“Por que a senhora, Juíza

Maldonado, agora quer revoga a lei qual a senhora mesma 

outorgou? Sendo que a senhora foi o principal pilar pelo o 

qual a lei foi implantada, pode-se se dizer até mesmo de

uma maneira bastante assertiva!”.

“Errar e acertar é humano!”, responde a juíza Michel Maldonado ,


“Mas, senhora, há erros 

fatais! E essa Lei do Valor (LV) prejudicou muita gente, 

como sabemos ela foi cruel até mesmo com a senhora!”

Maldonado abaixa a cabeça, 

levanta, olha para o repórter, se mantém firme, evitando

transmitir sua imensa angústia que lhe consome sem cessar 

durante nove meses, e que não tem tempo para acabar, e que 

provavelmente lhe acompanhara até o ultimo dia da sua 

existência, mesmo que seja em lapsos de memórias.

“Eu prometo publicamente 

que lutarei com afinco, com todas as forças possíveis que a 

Lei do Valor cairá, será extinta, pois ela é desumana, 

demasiadamente desumana...”

Quando termina a comitiva, 

um repórter esperto, experiente, consegue romper por meio 

dos repórteres e do cerco em torno da juíza, alcançando a 

Juíza Maldonado que já estava no corredor do plenário.me, mas posso lhe fazer apenas uma pergunta?”

A Juíza Maldonado o 

observa com certa admiração pela a sua atitude, permite:

“Claro, claro, faça a pergunta 


“Senhora, senhora, perdoe-“Como posso medir o valor 

de uma vida humana?”

“Não, não é possível medir, 

medir o valor de um ser humano! Paguei e pago um preço 

muito caro para poder entender o valor disso, e muito mais 

para pagar em uma única existência!”

“Muito obrigado pela a 

atenção Juíza Maldonado. Lamento grandemente por sua 

perda. Por favor, quebre essa lei!”

“Sim, eu vou quebrá-la! 

Esse será o valor de minha existência, e de Arthur, meu filho 

querido”.

A juíza Maldonado vira e 

segue adiante pelo o corredor do tribunal, o jornalista vira-

se indo em direção a saída do tribunal com um sorriso

paradoxal no rosto que expressa alegria e tristeza ao mesmo 

tempo. 

Raios solares iluminam a 

saída do plenário. Aquele repórter desaparece em meio aquele clarão 





Menino E O Dono Do Mundo

Uma mulher nesse momento está

cruzando um vale, está apreensiva, pois está no meio 

de uma zona de guerra. Está caminhado, olhando para 

todos os lados. Do seu lado direito encontra-se um 

barraco, mesmo com grande receio, vai em direção 

àquele enigmático barraco. 

O silêncio impera, porém, ela sente 

algo pesado circulando pelo o vento, é um vento 

carregado de malicia, anunciando eminente perigo. O 

temor começa a lhe invadir os tímpanos, a mente, 

sente-se cercada de tubarões aprisionada numa ilha.

Ao se aproximar do barraco, a 

porta abre, ela fica tensa, as pernas tremulam, quando 

uma voz masculina ecoa lá de dentro da penumbra,

Pronúncia 



“Senhora, o que a senhora esta 

fazendo aqui? Isso aqui é zona de guerra, saia daqui 

imediatamente. Um passo em falso e sua vida vai pelos 

os áreas, literalmente! O perigo que se aproxima 

doravante vai liquidando tudo que ele encontra em seu 

caminho: „nada fica em pé, nada fica deitado‟. Volte 

imediatamente pelo o mesmo caminho que viestes, e 

não olhe para trás, pois para trás só restará destruição”. 

Finaliza com essas palavras aquele homem de forma 

agoniada, olhando afoitamente para o cume do morro, 

qual tem acesso da sua posição privilegiada de dentro 

do barraco.

“Mas eu estou confusa, não sei 

como vim parar aqui? Que lugar é esse?” contesta a 

mulher de forma meio completamente perdida, olhando 

ao derredor.

“Só sei como vim parar aqui, 

somente posso falar por mim, de como vim parar nesse 

Inferno vivo na Terra”! Também sei de uma coisa, se 

a senhora continuar aqui a morte vai lhe beijar sem 

piedade. E nunca encontrará as respostas para as suas vê o olho do furacão crescendo diante dos seus olhos

assombrados.

Ela sai correndo da parte de campo 

gramado qual se encontrava e vai em direção à pista de 

barro e pedras. Olha para o horizonte do monte, e em 

meio de um céu polido azul celeste, fumaças o 

mancham, o torna como uma pintura caótica de cores, 

onde aos poucos o cinza toma conta, fumaças cuspidas 

pelo o dragão do desamor, da violência nua, crua e 

faminta.

Então, lá, onde a rua de barro e 

pedras se encontrar com céu caótico, cabeças, silhuetas

humanas começam a aparecer, como fantasmas 

irrompendo o véu cinza que encobre o lugar, vêm em 

sua direção. À medida em que aqueles fantasmas vão

se aproximando, aqueles fantasmas começam a se 

materializar em carne, ossos nervos e pescoços. Agora 

a lupa da razão lhe advém, são crianças, mulheres, 

jovens e idosos.

E eles passam por ela como se 

fossem cavalos selvagens, há urgência, todo ser vivo 

que sobreviver, persistir. Mas ela fica li como se fosse 

uma estátua, enquanto o Universo gira ao seu redor. 

Mas de súbito, como um cavaleiro 

da esperança, um jovem se desloca do meio daquele „enxame‟ de gente, vai em sua direção, a aconselha de 

forma firme e afobada, balançando os ombros dela:

“Corra, corra, corra pela a sua 

vida! Não fique aqui parada, venha conosco, não há 

tempo a perder, tempo é vida. Corra mulher, corra, não 

olhe para trás: ainda há chance, ainda há tempo. Venha 

, venha”. Nisso o jovem à medida que se vira, olha 

para frente, vai embora seguindo a multidão que descia 

pela a estrada de barro e pedras como se fosse um rio 

caudaloso. 

Logo o caos envolve aquela 

senhora como o amante que abraça sua amante depois 

de um longo tempo de ausência. Em meio às

explosões, gritos, tiros, não há mais nada para se 

pensar, apenas agir, seu instinto, a sabedoria da 

natureza age.

Mas antes que possa virar e 

acompanhar a multidão em fuga, ela avista um garoto 

de uns treze anos ajoelhado na estrada, bem a sua 

frente, a alguns metros dos seus braços. Então ela vai 

de encontro ao garoto. Seus sentidos de mãe, avô, tia, 

falam mais altos. Ela se ajoelha diante do garoto e o 

abraça. 

Diz de forma preocupada, carinhosa .


“Se acalme, se acalme! Você não 

está mais sozinho! Vou te ajudar, acredite em mim!”

E com um olhar quebrantado o 

menino a olha de baixo à cima, expressa:

“Senhora, eu estou sozinho nesse 

mundo! Meus pais e irmãos foram mortos pelos os 

soldados inimigos. Não há mais lugar para mim nesse 

mundo, não há”! 

Depois de pronunciar essas 

palavras emocionantes, começa a chorar, abraça

fortemente aquela senhora, que é tudo que ele tem 

naquele momento desesperançoso.

“Oooh!” Exclamou a senhora com 

grande empatia, retribuindo o abraço caloroso daquele 

menino maltrapilho, descalço. Mas a senhora observa 

que o pé esquerdo do garoto está sangrando. 

“O que aconteceu com teu pé” ?

“Acho que o cortei num caco de 

vidro, ou numa pedra pontiaguda!?” respondeu o garoto 

perguntas” Tendo dito essas palavras o homem 

engatilha sua arma, a mulher ouve o „trincar‟ metálico.

A senhora desvia seu olhar para o 

morro acima. O silêncio ameaçador agora é rompido 

por um estrondo avassalador em meio a ruídos, sons 

caóticos, explosões , tiros, gritos , choros e berros. Ela “Escute!” A senhora começa a 

falar, “Ninguém esta sozinho nesse mundo! Veja, eu 

estou aqui! Prometo que vou te proteger, fique comigo 

e vai dar tudo certo”!

Isso tudo acontece enquanto a 

multidão em fuga levanta poeira pela a estrada,

mulditão que passa apressada pela a senhora e o 

menino, mas uma voz no meio daquela multidão 

demonstra que a multidão é um monstro sem cabeça,

mas de muito de muito coração, aconselha:

“Saiam daqui, corram, eles se 

aproximam”!

A Senhora olha para o garoto, 

ordena:

“Vamos meu menino! Vamos nos 

salvar!” 

O menino dá um leve sorriso, ela 

sente o amor daquele jovem sorriso. Quando de súbito, 

o garoto olha para ela com os olhos arregalados, dos 

cantos dos seus lábios começa a jorrar sangue. 

Nisso diz o garoto:

“A senhora disse que ia me 

proteger, cuidar de mim, que no final tudo daria certo”! “Sim, sim, eu prometi e vou 

cumprir, tenha fé”!

“Não, não vai”! E aos poucos o 

garoto vai definhado, com sua cabeça caindo para trás, 

sem vida, ali nos braços da mulher que prometeu que 

nada iria lhe acontecer, que só bastava ele nela

acreditar.

A mulher entra em desespero como 

jamais sentiu em sua vida, abraça forte o corpinho do 

garoto já sem vida, um „belo boneco‟ sem vida. Ela 

grita chorando aos berros:

“Eu vou te ajudar! Eu vou te 

ajudaaaaar”!

Quando ela ouve uma voz que 

parecia vim do abismo do mar, implodindo dentro da 

sua cabeça:

“Senhora, senhora, seu tempo 

acabou...”

Nisso ela sente uma mão tocando 

em seu ombro direito, na sequência o menino e todo 

aquele ambiente começa a desparecer como fantasmas 

na neblina, bem ali diante dos seus olhos tensos. Sua

mente rodopia diante de tudo aquilo.

Ela se encontra diante de um salão 

muito bonito e amplo, um centro tecnológico. Nisso 

têm dois atendentes olhando para ela, enquanto ela esta 

ajoelhada no piso daquele salão. Ela consegue 

despertar daquela situação, entende o ocorrido.

Olha para baixo, para cima, mas 

ainda se encontra emocionada pela a morte do menino 

que nunca existiu. Sente-se envergonhada, um dos 

atendentes lhe estende a mão:

“Esperamos que a experiência 

possa ter valido à pena, preenchido suas expectativas, 

pois nossa alegria e contentamento é agradar, satisfazer 

nossos amados clientes!!!”

A mulher ainda extasiada pela 

aquela experiência se levanta. Ainda com o rosto 

daquele menino em sua memória viva, fala meio 

atordoada:

“Sim, foi ótima! Uma experiência 

reveladora, sem dúvidas”!

“Agradecemos-lhe por valorizar 

nossos serviços, esperamos tê-la aqui em breve!

Por favor, por ali está a porta de 

saída. Tenha um excelente passeio por nosso centro 

Cytecks. A mulher saí olhando para todo aquele 

ambiente, com olhar assustado. Olha para trás, para os 

atendentes que aos poucos ficam para trás, abre a porta 

de saída daquele setor, sai.

Nesse momento os atendentes se 

dirigem a porta do salão conhecido como a Porta Dos 

Desejos. Ao abrir a porta, dois senhores de meia idade

adentram o recinto. Um está vestido parecendo um 

guerreiro grego, o outro está vestido como um 

cavaleiro da década de trinta e quarenta. 

Um dos atendentes lhes 

cumprimentam nos moldes da empresa. Seguindo da 

pergunta:

“Qual é o seu desejo”?

Pergunta o atendente para um 

homem muito alto e magricelo. O homem 

pateticamente faz um gesto patético, com os braços

arriados, curvando o corpo, faz um sinal de V para 

dentro do corpo com os braços, faz uma „cara de mal‟,

Grita: “Heeeeetoooor! Heeeeeitoooor! 

Eu quero ser Brad Pitt”! deseja o 

homem.

O atendente como profissional que 

é, faz de tudo para conter o riso que quer se revelar:

“Ah Tá! Entendi! Aquiles, da 

Odisséia de Homero”!

“De Homero não! De Tróia do 

cinema, do Brad Pitt”! Fala o homem mantendo sua 

pose de „guerreiro grego‟, como se auto denominava.

O outro atendente se dirige ao 

outro homem, lhe pergunta:

“E o Sr, quem ou o que o Sr quer 

ser? Só basta pedir e assim será”!

Aquele homem de estatura 

mediana, bem acima do peso, vestido como um homem 

da década de trinta, erguer os braços em forma de cruz,abre as pernas, grita estridentemente:


“Eu sou o Dono do Mundooooo! 

Eu quero ser o Leonardo de D‟Caprio”!

Os atendentes olham um para o 

outro, riem suavemente com os cantos dos lábios, 

entendem a mensagem, um deles expressa:

“AAAH tá! Titanic!”

Nisso o sr vestido de Aquiles ou 

melhor dizendo, de Brad Pitt, e o outro vestido de 

„Titanic”, ou melhor dizendo, de Leonardo D‟Caprio, 

se estranham para entrar pelas a Porta dos Desejos. 

Enquanto um grita: HUUU! Huuuuu! O outro entra 

cantando Celine Dion.

Mas sobre a mulher do menino, 

será que ela desistiu da lembrança daquele menino da 

guerra? 

Não, ela não desistiu! Mandou

fazer um quadro belíssimo do menino, contratou o 

mais famoso pintor da cidade. E assim foi feito o 

quadro de meio corpo do menino, com a imagem 

daquela mulher quando ela tinha uns quarenta anos, 

abraçando o menino por trás, demonstrando em seu sorriso,.um grande amor pelo o menino .

Ela espalhou uma lenda que virou 

„verdade‟, que ela havia conhecido o menino na guerra, 

na guerra que houve naquela época ali, entre Leibnizia 

e Megatrópoles. Aquele rosto saiu em todos os lugares, 

se incorporou na cultura pop, ficou tão famoso quanto 

o quadro de Mona Lisa. 

Um século depois aquele quadro 

valia uma fortuna incalculável. O sofrimento que ela 

passou na Sala das Projeções foi-lhe recompensado.

Era muita dor para lhe ficar apenas contida em seu peito.



Seguidores de Xésus

Um dia os seguidores de Xésus 

Xrizto foram encaminhados ao Paraíso que Xésus havia 

prometido para eles em seu Sagrado Livro X. Não sentiram 

mais sofrimento, dor, pareciam autômatos, sem vontade 

andando pelo o Paraiso de belos campos florídos.

Mas aos poucos aconteceu algo 

fenomenal, aos poucos os seguidores de Xésus foram

ampliando suas consciências, mas sem mudar seus estilos de 

vida, seus modos de ser.

Comiam todas as frutas, andavam 

com os animais, eliminando tudo que no „mundo dos 

humanos‟ os faziam sofrer, tudo que por eles eram 

condenáveis como grandes angustias, lassidão, violências 

físicas e mentais, que segundo os adeptos de Xésus são 

advindas dos pecados que causam dores e sofrimentos.

Com o passar do tempo os 

seguidores de Xésus começaram a se sentir desconfortáveis, 

andavam de cavalos, tomavam banhos nas cachoeiras,comida à mão de forma infinita, mas gradativamente 

começaram a se sentir angustiados. 

Um tentou discutir com o outro 

sobre essa situação em que ele se encontrava, porém não era 

permitido conversar sobre esses temas naquele ambiente, 

naquele Paraíso. Uma força os impedia de entrarem nesses 

assuntos.

No Paraíso de Xésus não há nada 

a se reclamar: Tudo é Perfeito.

E gradativamente, no levante e 

pôr do sol, aquilo foi aumentando, ao ponto de se tornar tão 

critico que alguns começaram a tentar contra a própria vida. 

Alguns se lançam montanha abaixo, se machucam na queda, 

fraturas, braços quebrados, carne aberta, mas tudo se 

regenerava, os cortes sumiam bem ali as suas frentes.

Alguns desejavam que os animais 

os devorassem, mas animais como o leão agora eram doces 

e afáveis, herbívoros. Isso se dava porque liberadas algumas 

memórias de como era esse mundo antes.

Então, eles começavam a 

implorar para Xésus no próprio Paraíso que ele prometera 

para eles, pelo o qual muitos deles dedicaram a vida inteira, 

inclusive através de grandes sacrifícios pessoais, familiares, 

abdicação... que Xésus em sua  Infinita os tirassem daquele inferno .

Alguns concluíram para não 

questionar Xésus, que aquelas passagens sobre o Paraíso 

foram postas indevidamente no Livro Sagrado X, de Xésus. 

Era isso, tinha que ser isso.

Porque agora deles se ouvia:

„Gritos e ranger de dentes‟.

Um pegou uma pedra 

pontiaguda tentou cortar o pulso esquerdo, e abriu uma boa 

parte do braço, jorrou muito sangue, mais como um passe de 

mágica diante de seus olhos, o grave ferimento se fechou, 

sumiu.

Um casal na medida em que 

sua consciência aumentava acabaram por se reconhecerem, 

e os dois ficaram maravilhados, olhavam para tudo aquilo e 

para si mesmos em êxtase. Foi quando o homem falou 

ironicamente para sua esposa: 

“Meu amor! O Paraíso sem 

você seria um inferno!”. Ela bastante emocionada não se 

contendo em lágrimas. o abraça, diz:

“Veja meu amor, esse é o 

Paraiso que Xésus nos prometeu. Se Xésus promete, Xésus cumpre '. O que complementa o marido :


“Sim, nossa fé, nossa

dedicação ao nosso Salvador Xésus, filho Unigênito do 

Grande XDeus foi recompensada”.

Felizes tentam se abraçar de 

novo, mas algo invisível os impediu de se tocarem, tentaram 

se beijar, o mesmo ocorre. Há uma espécie de campo 

invisível que os impede se se tocarem.

Confusos, mas ainda 

envoltos pela a emoção, ainda não entenderam que no 

Paraíso de Xésus não há mais uniões conjugais ou 

emocionais.

Entram em desespero 

querendo toca um no outro, mas sem conseguirem, a 

angústia os invade.

Um que acabou por se 

entediar, por não ter nada a fazer, sua mente começa a lhe 

perturbar. Olha para um campo formado por pequenos 

capins à sua frente, pensa: 

“Já sei o que vou fazer! Vou 

arrancar esses capins, vou criar um belo jardim aqui! Apesar 

disso tudo já ser um grande Jardim, mas esse será um jardim 

feito por mim, pelo minha própria criatividade, trabalho, suor. E se agacha, arranca um 

capim, dois, mas no terceiro ocorre algo estranho, não 

consegue mais arrancar aquele frágil capim, enlouquece, 

tenta de novo e de novo, faz uma força tremenda, mas o 

capinzinho continua inabalável. O castigo do trabalho, do 

sofrimento da labuta não existe mais no Paraíso de Xésus, 

ele não pode esquecer que: 

Xésus promete, Xésus

cumpre.

Um homem reconhece sua 

mãe em meio aquele povo, mas o mesmo que ocorreu com o 

casal, ocorre com eles. Os laços familiares não são mais

reconhecidos no Paraíso de Xésus.

Uma mulher não mais 

suportando aquela vida monótona, séptica, indolor, sobe em 

uma montanha, na esperança de poder morrer, lançava-se 

precipício abaixo, no seu desabar vai batendo nas pedras e 

em algumas árvores que se encontravam pelo o meio do 

caminho. Quando alcança a base da montanha está 

totalmente destruída, por dois segundos de olhos fechados,

crê que conseguiu se libertar daquele „Paraíso‟. 

Abre os olhos e a angustia 

extrema a abraça fortemente. Ela assiste o braço e a perna

quebrados voltarem para seus respectivos lugares, seus 

órgãos internos se regeneram. As múltiplas escoriações, espalhadas pelo o seu corpo começam a sumir, como um 

efeito especial do cinema.

E de joelhos e com as duas 

mãos no rosto chora desesperadamente, clama por Xésus:

“Em nome de Teu Pai, O

Grande X, eu te imploro meu Senhor Xésus, me tira daqui,

viva ou morta, mas me tira, tenha misericórdiaaaaaaaa!!!!!!”

Então um milagre começa a 

acontecer, quando ela coloca suas duas mãos para frente, 

viradas com as palmas para si. Ela percebe que suas mãos 

estão começando a sumir, ela explode em alegria, suas

preces foram atendidas por Xésus, ela está sendo libertada 

do „Paraíso‟. Começa a falar loucamente:

“Obrigada, Soberano Xésus. 

Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...”. E foi 

repetindo „eu te amo‟ até desaparecer de vez dali, do outrora 

tão desejado Paraíso do Grande X.

Um homem olha para os 

animais vê o leão ali deitado na relva, tão manso no meio 

das zebras, suas antigas presas. O leão está manso como um 

coelhinho, e eles andavam daqui para ali, dali para cá, todos 

juntos, sem distinções, como prometera Xésus, até mesmo 

os animais não sentiriam mais dor e fome, logo não teriam que lutar pela a sobrevivência.

Encaminhou-se para a 

margem de um rio, olhou para um canto do rio cheio de 

crocodilos, um dos animais mais poderosos e perigosos da

Terra. Surta por alguns segundos, sai correndo enlouquecido 

em direção ao rio, lança-se em meio aos crocodilos, se 

debate, se debate, mas nada acontece, os crocodilos são 

completamente indiferentes a ele.

Então, o milagre acontece, 

Xésus ouve as suas súplicas. O homem que está no rio, com 

os braços apoiados nos crocodilos começa a se tornar opaco,

a desaparecer daquele Paraiso. O mesmo se sucede a todos 

os que imploraram a Xésus para lhes tirar daquele „Paraíso‟, 

que era o próprio Inferno.

Uns querem fingir que era 

um sonho, outros acreditam que realmente era um sonho, 

outros abandonaram a crença em Xésus, outros preferiam a 

creditar que o livro Sagrado X havia sido adulterado, que os 

antigos haviam incorporados textos apócrifos no livro. Que 

essa parte tratando do Paraiso deve ser tratada como 

apócrifos incorporados ao Livro Sagrado X.

...O Deus de um homem, não precisa ser o diabo do outro .







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