Quanto vale você?
Em uma comunidade os
seres humanos passaram a ser vistos, julgados conforme o
„valor de cada um‟, naquilo que ficou conhecido como: A
Lei do Valor. Assim o ser humano não seria mais avaliado
como um valor em si mesmo.
Um dia o médico Valter e
seu ajudante o enfermeiro Miguel, após o expediente: como
Valter havia deixado seu carro na oficina que o avisou que
atrasaria a entrega do carro naquele dia, ou seja, o carro
seria entregue somente no dia seguinte. Então Miguel
oferece uma carona para Valter, que foi prontamente aceita
por Valter.
No percurso, em um
cruzamento um carro avança o sinal vermelho, cruza a
frente do carro de Miguel, que faz uma manobra para se
desviar daquele encontro fatal, mas perdeu o controle da
direção, e acabou por capotar na ribanceira da rua.
Aquilo causou um alvoroço
nos transeuntes que testemunharam aquele evento, à beira da
rua rapidamente encheu de gente para vê aquele acidente,
enquanto os dois homens que foram jogados para fora do
carro estavam aparentemente imóveis lá embaixo da
ribanceira.
Quando a equipe de
emergência chegou, correu para atendê-los. A equipe
percebe que na ambulância há apenas um desfibrilador, pois
no posto, sem comunicá-los, a outra equipe havia o retirado
para fazer um exame ali mesmo no posto, nesse interim, a
equipe entra, e sai apressadamente para atender esta
ocorrência.
Lá estavam Valter e Miguel
dispersos no chão, era preciso imediatamente saber qual dos
dois atender inicialmente. Um enfermeiro da equipe mira o
Aparelho Validor em Miguel e Valter. Descobrem suas
funções e valores: a „escolha‟ é feita. Mesmo que no registro
criminal Valter seja denunciado e culpado em alguns casos
por agressão doméstica, por agressão física:
Quando em um domingo
tedioso, depois de um turno de serviço tedioso, agrediu seu
vizinho por está: „ouvindo música alta‟
Dão choques no peito de
Valter, ele desperta e a equipe corre em socorro de Miguel
para testificar se ainda é possível salvá-lo, mas Miguel não
responde aos impulsos elétricos, falece.
Valter atordoado ainda pelo
o baque do acidente pede para a equipe médica, por favor,salvar seu irmão. Um enfermeiro se dirige a Valter e pede
que ele se acalme, pois ainda estava sobre „observação‟.
“Miguel, meu irmão,
acorda, acorda...”, diz Valter para o seu irmão imóvel ali do
seu lado, enquanto desmaia pela a força da medicação, mas
seu irmão Miguel naquele dia soturno não teve o valor que
deveria para ser salvo.
Nove dias depois após esse
ocorrido, essa mesma equipe é acionada para atender um
acidente próximo dali onde havia ocorrido o acidente de
Valter e Miguel.
Alguns transeuntes disseram
que viram um carro perder o controle, saí da rua, cair numa
pequena ladeira do lado da rua, depois de colidir com na
árvore. Foi o que disseram para os policiais militrons.
Enquanto a equipe médica ia em direção ao caso em
questão.
O médico vai pela a porta
do motorista, e o enfermeiro que estava como o aparelho V
(Validor) vai pela a porta do passageiro. O médico abre a
porta e encontra uma mulher de uns quarenta e cinco anos
agonizando com um pequeno e fino ferro atravessado em seu abdômen do lado esquerdo
“Tenha calma, vou atendê-la
imediatamente!”, disse o médico.
Quando o enfermeiro abre a
porta do passageiro, observa que no sofá de trás do carro,
tem um garoto de mais ou menos uns 13 anos preso ao cinto
do passageiro, talvez esteja desmaiado.
A mulher mesmo sentido
muita dor, sussurra, com grande dificuldade aos ouvidos do
médico:
“Por favor, Senhor, pelo o
amor de Maxia: salva meu menino, salva meu menino...!”...
O médico lhe responde:
“Sim, sim, está tudo bem!”.
E coloca uma máscara de
oxigênio nela. O enfermeiro já a havia identificado como a
Juíza Michel Maldonado, mulher de grande prestigio
naquela sociedade. Fora ela que se tornou famosa por
condenar a cadeia lideres poderosos da máfia local e de conexões internacionais da cidade de Ste
Mas, que por outro lado,
gerou muita polêmica por criar: a „Lei do Valor‟, pela qual
foi criticada também internacionalmente. Como dizem „O
Mundo às vezes gira, às vezes o Mundo capota‟. E a Lei do
Valor por ela criada agora a atingiu, igual como já havia
atingindo a milhares e milhares de pessoas antes dela.
Pela a Lei do Valor a equipe
médica atendeu imediatamente a Juiza Maldonado. Seu
jovem filho morreu naquela ocasião.
Seis meses depois na Cidade
de Sete, do acidente envolvendo a Juíza Michell Maldonado,
aquele mesmo médico e enfermeiro estavam de plantão, em
um dado momento uma noticia na tela do atendimento do
hospital lhes chamou a atenção. A Juíza Michell Maldonado
dava uma entrevista para um prestigiado jornal nacional.
“Por que a senhora, Juíza
Maldonado, agora quer revoga a lei qual a senhora mesma
outorgou? Sendo que a senhora foi o principal pilar pelo o
qual a lei foi implantada, pode-se se dizer até mesmo de
uma maneira bastante assertiva!”.
“Errar e acertar é humano!”, responde a juíza Michel Maldonado ,
“Mas, senhora, há erros
fatais! E essa Lei do Valor (LV) prejudicou muita gente,
como sabemos ela foi cruel até mesmo com a senhora!”
Maldonado abaixa a cabeça,
levanta, olha para o repórter, se mantém firme, evitando
transmitir sua imensa angústia que lhe consome sem cessar
durante nove meses, e que não tem tempo para acabar, e que
provavelmente lhe acompanhara até o ultimo dia da sua
existência, mesmo que seja em lapsos de memórias.
“Eu prometo publicamente
que lutarei com afinco, com todas as forças possíveis que a
Lei do Valor cairá, será extinta, pois ela é desumana,
demasiadamente desumana...”
Quando termina a comitiva,
um repórter esperto, experiente, consegue romper por meio
dos repórteres e do cerco em torno da juíza, alcançando a
Juíza Maldonado que já estava no corredor do plenário.me, mas posso lhe fazer apenas uma pergunta?”
A Juíza Maldonado o
observa com certa admiração pela a sua atitude, permite:
“Claro, claro, faça a pergunta
“Senhora, senhora, perdoe-“Como posso medir o valor
de uma vida humana?”
“Não, não é possível medir,
medir o valor de um ser humano! Paguei e pago um preço
muito caro para poder entender o valor disso, e muito mais
para pagar em uma única existência!”
“Muito obrigado pela a
atenção Juíza Maldonado. Lamento grandemente por sua
perda. Por favor, quebre essa lei!”
“Sim, eu vou quebrá-la!
Esse será o valor de minha existência, e de Arthur, meu filho
querido”.
A juíza Maldonado vira e
segue adiante pelo o corredor do tribunal, o jornalista vira-
se indo em direção a saída do tribunal com um sorriso
paradoxal no rosto que expressa alegria e tristeza ao mesmo
tempo.
Raios solares iluminam a
saída do plenário. Aquele repórter desaparece em meio aquele clarão
Menino E O Dono Do Mundo
Uma mulher nesse momento está
cruzando um vale, está apreensiva, pois está no meio
de uma zona de guerra. Está caminhado, olhando para
todos os lados. Do seu lado direito encontra-se um
barraco, mesmo com grande receio, vai em direção
àquele enigmático barraco.
O silêncio impera, porém, ela sente
algo pesado circulando pelo o vento, é um vento
carregado de malicia, anunciando eminente perigo. O
temor começa a lhe invadir os tímpanos, a mente,
sente-se cercada de tubarões aprisionada numa ilha.
Ao se aproximar do barraco, a
porta abre, ela fica tensa, as pernas tremulam, quando
uma voz masculina ecoa lá de dentro da penumbra,
Pronúncia
“Senhora, o que a senhora esta
fazendo aqui? Isso aqui é zona de guerra, saia daqui
imediatamente. Um passo em falso e sua vida vai pelos
os áreas, literalmente! O perigo que se aproxima
doravante vai liquidando tudo que ele encontra em seu
caminho: „nada fica em pé, nada fica deitado‟. Volte
imediatamente pelo o mesmo caminho que viestes, e
não olhe para trás, pois para trás só restará destruição”.
Finaliza com essas palavras aquele homem de forma
agoniada, olhando afoitamente para o cume do morro,
qual tem acesso da sua posição privilegiada de dentro
do barraco.
“Mas eu estou confusa, não sei
como vim parar aqui? Que lugar é esse?” contesta a
mulher de forma meio completamente perdida, olhando
ao derredor.
“Só sei como vim parar aqui,
somente posso falar por mim, de como vim parar nesse
Inferno vivo na Terra”! Também sei de uma coisa, se
a senhora continuar aqui a morte vai lhe beijar sem
piedade. E nunca encontrará as respostas para as suas vê o olho do furacão crescendo diante dos seus olhos
assombrados.
Ela sai correndo da parte de campo
gramado qual se encontrava e vai em direção à pista de
barro e pedras. Olha para o horizonte do monte, e em
meio de um céu polido azul celeste, fumaças o
mancham, o torna como uma pintura caótica de cores,
onde aos poucos o cinza toma conta, fumaças cuspidas
pelo o dragão do desamor, da violência nua, crua e
faminta.
Então, lá, onde a rua de barro e
pedras se encontrar com céu caótico, cabeças, silhuetas
humanas começam a aparecer, como fantasmas
irrompendo o véu cinza que encobre o lugar, vêm em
sua direção. À medida em que aqueles fantasmas vão
se aproximando, aqueles fantasmas começam a se
materializar em carne, ossos nervos e pescoços. Agora
a lupa da razão lhe advém, são crianças, mulheres,
jovens e idosos.
E eles passam por ela como se
fossem cavalos selvagens, há urgência, todo ser vivo
que sobreviver, persistir. Mas ela fica li como se fosse
uma estátua, enquanto o Universo gira ao seu redor.
Mas de súbito, como um cavaleiro
da esperança, um jovem se desloca do meio daquele „enxame‟ de gente, vai em sua direção, a aconselha de
forma firme e afobada, balançando os ombros dela:
“Corra, corra, corra pela a sua
vida! Não fique aqui parada, venha conosco, não há
tempo a perder, tempo é vida. Corra mulher, corra, não
olhe para trás: ainda há chance, ainda há tempo. Venha
, venha”. Nisso o jovem à medida que se vira, olha
para frente, vai embora seguindo a multidão que descia
pela a estrada de barro e pedras como se fosse um rio
caudaloso.
Logo o caos envolve aquela
senhora como o amante que abraça sua amante depois
de um longo tempo de ausência. Em meio às
explosões, gritos, tiros, não há mais nada para se
pensar, apenas agir, seu instinto, a sabedoria da
natureza age.
Mas antes que possa virar e
acompanhar a multidão em fuga, ela avista um garoto
de uns treze anos ajoelhado na estrada, bem a sua
frente, a alguns metros dos seus braços. Então ela vai
de encontro ao garoto. Seus sentidos de mãe, avô, tia,
falam mais altos. Ela se ajoelha diante do garoto e o
abraça.
Diz de forma preocupada, carinhosa .
“Se acalme, se acalme! Você não
está mais sozinho! Vou te ajudar, acredite em mim!”
E com um olhar quebrantado o
menino a olha de baixo à cima, expressa:
“Senhora, eu estou sozinho nesse
mundo! Meus pais e irmãos foram mortos pelos os
soldados inimigos. Não há mais lugar para mim nesse
mundo, não há”!
Depois de pronunciar essas
palavras emocionantes, começa a chorar, abraça
fortemente aquela senhora, que é tudo que ele tem
naquele momento desesperançoso.
“Oooh!” Exclamou a senhora com
grande empatia, retribuindo o abraço caloroso daquele
menino maltrapilho, descalço. Mas a senhora observa
que o pé esquerdo do garoto está sangrando.
“O que aconteceu com teu pé” ?
“Acho que o cortei num caco de
vidro, ou numa pedra pontiaguda!?” respondeu o garoto
perguntas” Tendo dito essas palavras o homem
engatilha sua arma, a mulher ouve o „trincar‟ metálico.
A senhora desvia seu olhar para o
morro acima. O silêncio ameaçador agora é rompido
por um estrondo avassalador em meio a ruídos, sons
caóticos, explosões , tiros, gritos , choros e berros. Ela “Escute!” A senhora começa a
falar, “Ninguém esta sozinho nesse mundo! Veja, eu
estou aqui! Prometo que vou te proteger, fique comigo
e vai dar tudo certo”!
Isso tudo acontece enquanto a
multidão em fuga levanta poeira pela a estrada,
mulditão que passa apressada pela a senhora e o
menino, mas uma voz no meio daquela multidão
demonstra que a multidão é um monstro sem cabeça,
mas de muito de muito coração, aconselha:
“Saiam daqui, corram, eles se
aproximam”!
A Senhora olha para o garoto,
ordena:
“Vamos meu menino! Vamos nos
salvar!”
O menino dá um leve sorriso, ela
sente o amor daquele jovem sorriso. Quando de súbito,
o garoto olha para ela com os olhos arregalados, dos
cantos dos seus lábios começa a jorrar sangue.
Nisso diz o garoto:
“A senhora disse que ia me
proteger, cuidar de mim, que no final tudo daria certo”! “Sim, sim, eu prometi e vou
cumprir, tenha fé”!
“Não, não vai”! E aos poucos o
garoto vai definhado, com sua cabeça caindo para trás,
sem vida, ali nos braços da mulher que prometeu que
nada iria lhe acontecer, que só bastava ele nela
acreditar.
A mulher entra em desespero como
jamais sentiu em sua vida, abraça forte o corpinho do
garoto já sem vida, um „belo boneco‟ sem vida. Ela
grita chorando aos berros:
“Eu vou te ajudar! Eu vou te
ajudaaaaar”!
Quando ela ouve uma voz que
parecia vim do abismo do mar, implodindo dentro da
sua cabeça:
“Senhora, senhora, seu tempo
acabou...”
Nisso ela sente uma mão tocando
em seu ombro direito, na sequência o menino e todo
aquele ambiente começa a desparecer como fantasmas
na neblina, bem ali diante dos seus olhos tensos. Sua
mente rodopia diante de tudo aquilo.
Ela se encontra diante de um salão
muito bonito e amplo, um centro tecnológico. Nisso
têm dois atendentes olhando para ela, enquanto ela esta
ajoelhada no piso daquele salão. Ela consegue
despertar daquela situação, entende o ocorrido.
Olha para baixo, para cima, mas
ainda se encontra emocionada pela a morte do menino
que nunca existiu. Sente-se envergonhada, um dos
atendentes lhe estende a mão:
“Esperamos que a experiência
possa ter valido à pena, preenchido suas expectativas,
pois nossa alegria e contentamento é agradar, satisfazer
nossos amados clientes!!!”
A mulher ainda extasiada pela
aquela experiência se levanta. Ainda com o rosto
daquele menino em sua memória viva, fala meio
atordoada:
“Sim, foi ótima! Uma experiência
reveladora, sem dúvidas”!
“Agradecemos-lhe por valorizar
nossos serviços, esperamos tê-la aqui em breve!
Por favor, por ali está a porta de
saída. Tenha um excelente passeio por nosso centro
Cytecks. A mulher saí olhando para todo aquele
ambiente, com olhar assustado. Olha para trás, para os
atendentes que aos poucos ficam para trás, abre a porta
de saída daquele setor, sai.
Nesse momento os atendentes se
dirigem a porta do salão conhecido como a Porta Dos
Desejos. Ao abrir a porta, dois senhores de meia idade
adentram o recinto. Um está vestido parecendo um
guerreiro grego, o outro está vestido como um
cavaleiro da década de trinta e quarenta.
Um dos atendentes lhes
cumprimentam nos moldes da empresa. Seguindo da
pergunta:
“Qual é o seu desejo”?
Pergunta o atendente para um
homem muito alto e magricelo. O homem
pateticamente faz um gesto patético, com os braços
arriados, curvando o corpo, faz um sinal de V para
dentro do corpo com os braços, faz uma „cara de mal‟,
Grita: “Heeeeetoooor! Heeeeeitoooor!
Eu quero ser Brad Pitt”! deseja o
homem.
O atendente como profissional que
é, faz de tudo para conter o riso que quer se revelar:
“Ah Tá! Entendi! Aquiles, da
Odisséia de Homero”!
“De Homero não! De Tróia do
cinema, do Brad Pitt”! Fala o homem mantendo sua
pose de „guerreiro grego‟, como se auto denominava.
O outro atendente se dirige ao
outro homem, lhe pergunta:
“E o Sr, quem ou o que o Sr quer
ser? Só basta pedir e assim será”!
Aquele homem de estatura
mediana, bem acima do peso, vestido como um homem
da década de trinta, erguer os braços em forma de cruz,abre as pernas, grita estridentemente:
“Eu sou o Dono do Mundooooo!
Eu quero ser o Leonardo de D‟Caprio”!
Os atendentes olham um para o
outro, riem suavemente com os cantos dos lábios,
entendem a mensagem, um deles expressa:
“AAAH tá! Titanic!”
Nisso o sr vestido de Aquiles ou
melhor dizendo, de Brad Pitt, e o outro vestido de
„Titanic”, ou melhor dizendo, de Leonardo D‟Caprio,
se estranham para entrar pelas a Porta dos Desejos.
Enquanto um grita: HUUU! Huuuuu! O outro entra
cantando Celine Dion.
Mas sobre a mulher do menino,
será que ela desistiu da lembrança daquele menino da
guerra?
Não, ela não desistiu! Mandou
fazer um quadro belíssimo do menino, contratou o
mais famoso pintor da cidade. E assim foi feito o
quadro de meio corpo do menino, com a imagem
daquela mulher quando ela tinha uns quarenta anos,
abraçando o menino por trás, demonstrando em seu sorriso,.um grande amor pelo o menino .
Ela espalhou uma lenda que virou
„verdade‟, que ela havia conhecido o menino na guerra,
na guerra que houve naquela época ali, entre Leibnizia
e Megatrópoles. Aquele rosto saiu em todos os lugares,
se incorporou na cultura pop, ficou tão famoso quanto
o quadro de Mona Lisa.
Um século depois aquele quadro
valia uma fortuna incalculável. O sofrimento que ela
passou na Sala das Projeções foi-lhe recompensado.
Era muita dor para lhe ficar apenas contida em seu peito.
Seguidores de Xésus
Um dia os seguidores de Xésus
Xrizto foram encaminhados ao Paraíso que Xésus havia
prometido para eles em seu Sagrado Livro X. Não sentiram
mais sofrimento, dor, pareciam autômatos, sem vontade
andando pelo o Paraiso de belos campos florídos.
Mas aos poucos aconteceu algo
fenomenal, aos poucos os seguidores de Xésus foram
ampliando suas consciências, mas sem mudar seus estilos de
vida, seus modos de ser.
Comiam todas as frutas, andavam
com os animais, eliminando tudo que no „mundo dos
humanos‟ os faziam sofrer, tudo que por eles eram
condenáveis como grandes angustias, lassidão, violências
físicas e mentais, que segundo os adeptos de Xésus são
advindas dos pecados que causam dores e sofrimentos.
Com o passar do tempo os
seguidores de Xésus começaram a se sentir desconfortáveis,
andavam de cavalos, tomavam banhos nas cachoeiras,comida à mão de forma infinita, mas gradativamente
começaram a se sentir angustiados.
Um tentou discutir com o outro
sobre essa situação em que ele se encontrava, porém não era
permitido conversar sobre esses temas naquele ambiente,
naquele Paraíso. Uma força os impedia de entrarem nesses
assuntos.
No Paraíso de Xésus não há nada
a se reclamar: Tudo é Perfeito.
E gradativamente, no levante e
pôr do sol, aquilo foi aumentando, ao ponto de se tornar tão
critico que alguns começaram a tentar contra a própria vida.
Alguns se lançam montanha abaixo, se machucam na queda,
fraturas, braços quebrados, carne aberta, mas tudo se
regenerava, os cortes sumiam bem ali as suas frentes.
Alguns desejavam que os animais
os devorassem, mas animais como o leão agora eram doces
e afáveis, herbívoros. Isso se dava porque liberadas algumas
memórias de como era esse mundo antes.
Então, eles começavam a
implorar para Xésus no próprio Paraíso que ele prometera
para eles, pelo o qual muitos deles dedicaram a vida inteira,
inclusive através de grandes sacrifícios pessoais, familiares,
abdicação... que Xésus em sua Infinita os tirassem daquele inferno .
Alguns concluíram para não
questionar Xésus, que aquelas passagens sobre o Paraíso
foram postas indevidamente no Livro Sagrado X, de Xésus.
Era isso, tinha que ser isso.
Porque agora deles se ouvia:
„Gritos e ranger de dentes‟.
Um pegou uma pedra
pontiaguda tentou cortar o pulso esquerdo, e abriu uma boa
parte do braço, jorrou muito sangue, mais como um passe de
mágica diante de seus olhos, o grave ferimento se fechou,
sumiu.
Um casal na medida em que
sua consciência aumentava acabaram por se reconhecerem,
e os dois ficaram maravilhados, olhavam para tudo aquilo e
para si mesmos em êxtase. Foi quando o homem falou
ironicamente para sua esposa:
“Meu amor! O Paraíso sem
você seria um inferno!”. Ela bastante emocionada não se
contendo em lágrimas. o abraça, diz:
“Veja meu amor, esse é o
Paraiso que Xésus nos prometeu. Se Xésus promete, Xésus cumpre '. O que complementa o marido :
“Sim, nossa fé, nossa
dedicação ao nosso Salvador Xésus, filho Unigênito do
Grande XDeus foi recompensada”.
Felizes tentam se abraçar de
novo, mas algo invisível os impediu de se tocarem, tentaram
se beijar, o mesmo ocorre. Há uma espécie de campo
invisível que os impede se se tocarem.
Confusos, mas ainda
envoltos pela a emoção, ainda não entenderam que no
Paraíso de Xésus não há mais uniões conjugais ou
emocionais.
Entram em desespero
querendo toca um no outro, mas sem conseguirem, a
angústia os invade.
Um que acabou por se
entediar, por não ter nada a fazer, sua mente começa a lhe
perturbar. Olha para um campo formado por pequenos
capins à sua frente, pensa:
“Já sei o que vou fazer! Vou
arrancar esses capins, vou criar um belo jardim aqui! Apesar
disso tudo já ser um grande Jardim, mas esse será um jardim
feito por mim, pelo minha própria criatividade, trabalho, suor. E se agacha, arranca um
capim, dois, mas no terceiro ocorre algo estranho, não
consegue mais arrancar aquele frágil capim, enlouquece,
tenta de novo e de novo, faz uma força tremenda, mas o
capinzinho continua inabalável. O castigo do trabalho, do
sofrimento da labuta não existe mais no Paraíso de Xésus,
ele não pode esquecer que:
Xésus promete, Xésus
cumpre.
Um homem reconhece sua
mãe em meio aquele povo, mas o mesmo que ocorreu com o
casal, ocorre com eles. Os laços familiares não são mais
reconhecidos no Paraíso de Xésus.
Uma mulher não mais
suportando aquela vida monótona, séptica, indolor, sobe em
uma montanha, na esperança de poder morrer, lançava-se
precipício abaixo, no seu desabar vai batendo nas pedras e
em algumas árvores que se encontravam pelo o meio do
caminho. Quando alcança a base da montanha está
totalmente destruída, por dois segundos de olhos fechados,
crê que conseguiu se libertar daquele „Paraíso‟.
Abre os olhos e a angustia
extrema a abraça fortemente. Ela assiste o braço e a perna
quebrados voltarem para seus respectivos lugares, seus
órgãos internos se regeneram. As múltiplas escoriações, espalhadas pelo o seu corpo começam a sumir, como um
efeito especial do cinema.
E de joelhos e com as duas
mãos no rosto chora desesperadamente, clama por Xésus:
“Em nome de Teu Pai, O
Grande X, eu te imploro meu Senhor Xésus, me tira daqui,
viva ou morta, mas me tira, tenha misericórdiaaaaaaaa!!!!!!”
Então um milagre começa a
acontecer, quando ela coloca suas duas mãos para frente,
viradas com as palmas para si. Ela percebe que suas mãos
estão começando a sumir, ela explode em alegria, suas
preces foram atendidas por Xésus, ela está sendo libertada
do „Paraíso‟. Começa a falar loucamente:
“Obrigada, Soberano Xésus.
Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...”. E foi
repetindo „eu te amo‟ até desaparecer de vez dali, do outrora
tão desejado Paraíso do Grande X.
Um homem olha para os
animais vê o leão ali deitado na relva, tão manso no meio
das zebras, suas antigas presas. O leão está manso como um
coelhinho, e eles andavam daqui para ali, dali para cá, todos
juntos, sem distinções, como prometera Xésus, até mesmo
os animais não sentiriam mais dor e fome, logo não teriam que lutar pela a sobrevivência.
Encaminhou-se para a
margem de um rio, olhou para um canto do rio cheio de
crocodilos, um dos animais mais poderosos e perigosos da
Terra. Surta por alguns segundos, sai correndo enlouquecido
em direção ao rio, lança-se em meio aos crocodilos, se
debate, se debate, mas nada acontece, os crocodilos são
completamente indiferentes a ele.
Então, o milagre acontece,
Xésus ouve as suas súplicas. O homem que está no rio, com
os braços apoiados nos crocodilos começa a se tornar opaco,
a desaparecer daquele Paraiso. O mesmo se sucede a todos
os que imploraram a Xésus para lhes tirar daquele „Paraíso‟,
que era o próprio Inferno.
Uns querem fingir que era
um sonho, outros acreditam que realmente era um sonho,
outros abandonaram a crença em Xésus, outros preferiam a
creditar que o livro Sagrado X havia sido adulterado, que os
antigos haviam incorporados textos apócrifos no livro. Que
essa parte tratando do Paraiso deve ser tratada como
apócrifos incorporados ao Livro Sagrado X.
...O Deus de um homem, não precisa ser o diabo do outro .


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